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‘Briga de marido e mulher, tem que meter a colher sim’

Projeto Legal participa de oficina pelo Dia Internacional da Mulher, em comunidade quilombola

O Projeto Legal, o Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH) e a Associação de Ex-Conselheiros e Conselheiros da Infância (AECCI) participaram da primeira etapa de uma oficina, na manhã do último sábado (9/3), por conta do Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia anterior (8), no Quilombo Santa Justina / Santa Izabel, em Mangaratiba, município da Costa Verde fluminense.

“Briga de marido e mulher, tem que meter a colher sim. É questão de saúde pública, é questão de interesse público e tem que ser denunciada”, sustentou o advogado do Projeto Legal Carlos Nicodemos, que também é membro da Comissão de Direitos Humanos da seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).

Durante o bate-papo, Nicodemos criticou que ‘o Brasil tem a mania de tentar resolver problemas sociais por meio de leis’ e questionou a falta de políticas sociais e de empregabilidade para as mulheres vítimas de violência, como forma de empoderá-las para romper o ciclo de agressões, desse modo realizando plenamente a cidadania.

A dona Maria Alice, uma das presentes, criticou a forma como muitas mulheres são tratadas nas delegacias, quando vão prestar queixa contra os maridos. Outras participantes destacaram a revitimização das mulheres, vítimas tanto em casa quanto nas delegacias e também por parte da opinião pública, que tenta deslegitimar e transformá-las em vilãs.

Já a advogada Fátima Farias, da Diretoria de Igualdade Racial da OAB-RJ, orientou que as mulheres optassem por delegacias especializadas se houvesse alguma no município. Na ausência, uma delegacia comum mesmo.

Participaram do encontro mais de 30 pessoas. O evento foi promovido pela Associação de Moradores e Amigos do Quilombo Santa Justina / Santa Izabel.

Já a articuladora política do Projeto Legal Érica Del Giudice realizou contação de histórias para crianças e adolescentes, com livros infanto-juvenis sobre direitos humanos, cidadania, cujos personagens eram negros, como as histórias de Zumbi dos Palmares e a da ativista paquistanesa Malala Yousafzai.

“Quantos livros infantis vocês já leram que tinham negras e negros como protagonistas? Quase não tem, não é mesmo?”, indagou Érica Del Giudice.

O supracitado quilombo está numa disputa judicial com a Ecoinvest Desenvolvimento Empresarial Ltda., que adquiriu as terras na região. Atualmente, vivem 54 famílias, cerca de 200 pessoas. Para entrar e sair da fazenda, é preciso passar por uma guarita. Os visitantes só entram no local com permissão dos seguranças dessa empresa. A grande maioria dos moradores não têm energia elétrica. Segundo denúncias, a empresa estaria dificultando o acesso da concessionária e a vida dos habitantes. Em 2018, para conseguirem celebrar os 130 anos da Lei Áurea, eles tiveram de entrar com uma liminar judicial. Essa comunidade quilombola habita a área desde os anos de 1920.

* Reportagem e fotos: Diego Francisco

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